Por quatro anos, Balneário Camboriú foi sinônimo do metro quadrado mais caro do Brasil. Em maio de 2026, essa liderança passou para a vizinha Itapema, por uma diferença de R$ 11 no m². Dois meses depois, o topo já era de Vitória (ES).
Vale ler esses rankings pelo que eles são: um empate técnico. As três cidades estão dentro de uma faixa de 1% uma da outra, e a posição troca com a mesma frequência com que sai o índice. O que não muda é o dado que realmente importa para quem vende ali: no primeiro semestre de 2026, Balneário Camboriú registrou o maior ticket médio do litoral catarinense, R$ 4,32 milhões por unidade vendida. Nenhuma cidade vizinha chega perto disso.
| Indicador | Balneário Camboriú (2025-2026) |
|---|---|
| Preço médio do m² residencial | R$ 15.228 em junho/2026, entre os dois mais altos do país |
| Ticket médio da unidade vendida | R$ 4,32 milhões (DWV, 1º semestre de 2026) |
| Unidades vendidas em 2025 | 1.081, com VGV de R$ 3 bilhões |
| Valorização acumulada no período | 6,44%, acima de São Paulo, Rio de Janeiro e do IPCA |
| Imóveis disponíveis em pauta de incorporadoras | Cerca de 1.690 unidades |
| População fixa x pico de verão | 139.155 habitantes, com até 2 milhões de visitantes entre dezembro e fevereiro |
Dados da plataforma nacional de inteligência imobiliária DWV, do índice FipeZap e de levantamentos da prefeitura sobre a temporada, referentes a 2025 e 2026.
Onde Balneário Camboriú ainda lidera
No dinheiro por negócio. A cidade perdeu o primeiro lugar no ranking de preço por m², mas segue com o maior ticket médio da região por uma margem enorme: R$ 4,32 milhões por unidade vendida no primeiro semestre de 2026, contra R$ 1,63 milhão em Itajaí, R$ 1,29 milhão em Itapema e R$ 875,7 mil em Porto Belo, segundo dados da plataforma DWV.
Esse é o número mais útil do artigo inteiro para quem trabalha na cidade. Ele diz que Balneário Camboriú não disputa o mesmo cliente das vizinhas. Uma venda em Balneário equivale, em valor, a cinco vendas em Porto Belo. Isso muda a economia da operação: faz sentido investir mais tempo, mais material e mais atendimento personalizado por lead, porque cada negócio fechado carrega uma comissão proporcionalmente muito maior. O corretor que trata um lead de R$ 4 milhões com o mesmo script de um lead de R$ 800 mil está deixando dinheiro na mesa.
O volume também segue firme. Em 2025 foram 1.081 unidades vendidas, com Valor Geral de Vendas de R$ 3 bilhões, segundo a plataforma DWV. A valorização acumulada de 6,44% no período superou São Paulo, Rio de Janeiro e o próprio IPCA.
Com oferta restrita e demanda alta, cada lead que demora a ser respondido é uma venda perdida para o concorrente.
Ver como a VGV X ajudaPor que perdeu a liderança de valorização
Não foi queda de preço em Balneário Camboriú. Foi aceleração em Itapema, puxada por um novo ciclo de obras de infraestrutura turística na vizinha. A margem foi mínima: R$ 15.226 contra R$ 15.215 por m² em maio de 2026, segundo o FipeZap.
O preço de Balneário continuou subindo o tempo todo. Em junho de 2026, o valor médio anunciado de apartamentos prontos chegou a R$ 15.228 por m², contra R$ 9.888 em março de 2022, uma alta de cerca de 54% em pouco mais de quatro anos, segundo dados de mercado. São aproximadamente 11% ao ano, sustentados.
Por trás disso há um fator que os rankings mensais não capturam: a cidade continua investindo. Foram mais de R$ 2 bilhões aplicados em atrativos turísticos, parques temáticos e melhorias urbanas nos últimos anos, e em junho de 2026 começou uma nova etapa de R$ 34,7 milhões na reurbanização da orla, cobrindo cerca de 1,5 quilômetro entre a rua 3920 e o píer da Barra Sul, segundo informações divulgadas em julho de 2026.
Para o corretor, isso é munição concreta. Em vez de dizer "a cidade continua valorizando", dá para apontar a obra que está acontecendo naquela quadra, com valor e prazo. Argumento que o cliente consegue verificar sozinho vale muito mais do que argumento que ele precisa acreditar.
Qual é o bairro mais caro de Balneário Camboriú?
O Centro concentra os maiores preços por m², seguido de perto pela Barra Sul, onde ficam os empreendimentos de altíssimo padrão. Na primeira quadra da orla, os valores já ultrapassam R$ 50 mil por m², e projetos pontuais diferenciados passam de R$ 100 mil por m², segundo levantamentos publicados em 2026.
Repare no tamanho do intervalo. A média da cidade é R$ 15.228, a orla passa de R$ 50 mil e projetos específicos passam de R$ 100 mil. Isso significa que, em Balneário Camboriú, a média municipal praticamente não serve para precificar nada. O que define preço aqui é a quadra, a vista e o empreendimento, nessa ordem. Quem chega numa negociação com o número do FipeZap na mão e nada além dele perde autoridade nos primeiros cinco minutos.
Fora da orla nobre, a cidade tem degraus bem definidos. Um comparativo de bairros publicado em julho de 2026 aponta os Pioneiros com m² de 15% a 25% mais barato que o Centro, mantendo praia e infraestrutura, e é o bairro mais procurado por quem quer morar na cidade o ano inteiro. A Praia Brava aparece como o segmento de crescimento mais rápido, para quem busca exclusividade sem pagar preço de Centro. Nações e Tabuleiro completam a faixa de entrada, para o comprador que abre mão da vista direta para o mar.
Esse mapa mental resolve na prática o atendimento mais frequente da cidade: o cliente que quer Balneário Camboriú mas não quer (ou não pode) pagar orla. Ele não precisa ir para outra cidade. Precisa ir três quadras para trás, ou dois bairros ao norte.
Quanto rende um imóvel de temporada na cidade?
Entre 9% e 14% ao ano líquidos, segundo levantamento de abril de 2026 baseado em dados de AirDNA, SANTUR, FipeZap+, CRECI-SC e Booking.com. Mas essa média esconde a informação que mais muda a decisão do cliente, e é aqui que vale a pena ser específico.
O retorno percentual cai conforme o imóvel encarece. O mesmo levantamento simula três cenários reais: um studio de R$ 550 mil rende cerca de 10,6% ao ano; um dois dormitórios no Centro, de R$ 800 mil, rende 6,2%; um dois dormitórios de alto padrão na Barra Sul, de R$ 1,8 milhão, rende 5,1%.
A leitura prática é direta e quase ninguém diz isso ao cliente: imóvel caro em Balneário Camboriú é investimento de patrimônio e valorização, não de renda. Quem compra R$ 1,8 milhão esperando o mesmo rendimento percentual de um studio vai ficar frustrado no primeiro ano. Quem compra sabendo que a rentabilidade vem da valorização e do uso próprio fecha o negócio tranquilo e volta para a segunda compra.
A sazonalidade fecha o raciocínio. A ocupação fica entre 80% e 95% em janeiro e fevereiro e cai para a faixa de 20% a 50% entre maio e outubro, com média anual de 50% a 70%. As diárias acompanham: um dois dormitórios na Barra Sul cobra de R$ 800 a R$ 1.500 no verão e de R$ 180 a R$ 600 na baixa temporada.
Isso não é defeito da cidade, é o desenho dela. Balneário Camboriú tem 139.155 habitantes fixos e espera receber até 2 milhões de visitantes entre dezembro e fevereiro, um aumento de até 1.337% na população, segundo dados da prefeitura. O secretário municipal de Turismo, Evandro Neiva, cita capacidade de 2 a 2,5 milhões de turistas por temporada. Uma cidade que multiplica por catorze no verão gera diária alta em janeiro e vacância em junho. Quem apresenta os dois números ao cliente vende mais e recebe menos reclamação depois.
O que ainda é risco
O risco de Balneário Camboriú não é sobrar imóvel. É faltar, e isso ter efeitos colaterais.
Com cerca de 1.690 unidades disponíveis nas pautas das incorporadoras e 1.081 vendidas em 2025, a cidade opera com aproximadamente um ano e meio de estoque. Para comparar dentro da mesma região, Porto Belo carrega mais de dois anos e meio. Estoque apertado sustenta preço, mas também limita crescimento: sem lançamento novo, não há como vender mais, por mais demanda que exista.
O efeito seguinte é a barreira de entrada. Especialistas citados em levantamentos de 2026 apontam este ano como uma das últimas janelas para comprar antes de uma nova alta expressiva, com projeções da Sort Investimentos de m² chegando a R$ 40 mil em regiões e projetos diferenciados até o fim da década. Ou seja: quem está fora do mercado há mais tempo enfrenta um degrau cada vez mais alto para entrar.
Há um risco de discurso também, e ele é mais imediato. Quem construiu apresentação e anúncio em cima de "a cidade mais cara do Brasil" ficou com material desatualizado em 2026, e vai ficar de novo na próxima virada do índice. O argumento que não envelhece é outro: ticket médio recorde, oferta estruturalmente restrita e R$ 2 bilhões de investimento turístico entregues. Isso não muda de mês para mês.
Marque o que já é rotina sua na forma de atender em Balneário Camboriú.
Qual o próximo passo
Num mercado com ticket médio de R$ 4,32 milhões e cerca de 1.690 unidades disponíveis para a cidade inteira, cada lead qualificado vale proporcionalmente muito mais do que num mercado com estoque abundante. Não é exagero de vendedor: é aritmética.
Duas coisas fazem a diferença nesse cenário. Responder rápido, porque o mesmo comprador está falando com corretores de Itapema, Itajaí e Porto Belo na mesma tarde. E ter um padrão consistente de atendimento, porque quem paga R$ 4 milhões percebe amadorismo em dois minutos de conversa. Num mercado onde o número de imóveis disponíveis já é o fator limitante, e não a demanda, o gargalo passou a ser a qualidade do atendimento.
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