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Mercado imobiliário em Balneário Camboriú (SC): o que os números mostram em 2026

Balneário Camboriú perdeu a liderança nacional de valorização em 2026, mas segue com VGV de R$ 3 bilhões e o maior ticket médio do litoral catarinense. Veja os dados reais e o que eles significam para quem atua na cidade.

Corretora de imóveis ao telefone com o skyline de arranha-céus de Balneário Camboriú ao fundo
Balneário Camboriú liderou o m² mais valorizado do Brasil de 2022 a 2026, até ser superada por Itapema. Foto base: Hayden Soloviev / Wikimedia Commons (CC BY 4.0), editada com elementos ilustrativos.

Por quatro anos, Balneário Camboriú foi sinônimo do metro quadrado mais caro do Brasil. Em maio de 2026, essa liderança passou para a vizinha Itapema, por uma diferença de R$ 11 no m². Dois meses depois, o topo já era de Vitória (ES).

Vale ler esses rankings pelo que eles são: um empate técnico. As três cidades estão dentro de uma faixa de 1% uma da outra, e a posição troca com a mesma frequência com que sai o índice. O que não muda é o dado que realmente importa para quem vende ali: no primeiro semestre de 2026, Balneário Camboriú registrou o maior ticket médio do litoral catarinense, R$ 4,32 milhões por unidade vendida. Nenhuma cidade vizinha chega perto disso.

Indicador Balneário Camboriú (2025-2026)
Preço médio do m² residencial R$ 15.228 em junho/2026, entre os dois mais altos do país
Ticket médio da unidade vendida R$ 4,32 milhões (DWV, 1º semestre de 2026)
Unidades vendidas em 2025 1.081, com VGV de R$ 3 bilhões
Valorização acumulada no período 6,44%, acima de São Paulo, Rio de Janeiro e do IPCA
Imóveis disponíveis em pauta de incorporadoras Cerca de 1.690 unidades
População fixa x pico de verão 139.155 habitantes, com até 2 milhões de visitantes entre dezembro e fevereiro

Dados da plataforma nacional de inteligência imobiliária DWV, do índice FipeZap e de levantamentos da prefeitura sobre a temporada, referentes a 2025 e 2026.

Onde Balneário Camboriú ainda lidera

No dinheiro por negócio. A cidade perdeu o primeiro lugar no ranking de preço por m², mas segue com o maior ticket médio da região por uma margem enorme: R$ 4,32 milhões por unidade vendida no primeiro semestre de 2026, contra R$ 1,63 milhão em Itajaí, R$ 1,29 milhão em Itapema e R$ 875,7 mil em Porto Belo, segundo dados da plataforma DWV.

Esse é o número mais útil do artigo inteiro para quem trabalha na cidade. Ele diz que Balneário Camboriú não disputa o mesmo cliente das vizinhas. Uma venda em Balneário equivale, em valor, a cinco vendas em Porto Belo. Isso muda a economia da operação: faz sentido investir mais tempo, mais material e mais atendimento personalizado por lead, porque cada negócio fechado carrega uma comissão proporcionalmente muito maior. O corretor que trata um lead de R$ 4 milhões com o mesmo script de um lead de R$ 800 mil está deixando dinheiro na mesa.

O volume também segue firme. Em 2025 foram 1.081 unidades vendidas, com Valor Geral de Vendas de R$ 3 bilhões, segundo a plataforma DWV. A valorização acumulada de 6,44% no período superou São Paulo, Rio de Janeiro e o próprio IPCA.

R$ 4,32 mi ticket médio por unidade vendida no 1º semestre de 2026, o maior do litoral catarinense
R$ 3 bi Valor Geral de Vendas em 2025, com 1.081 unidades vendidas
1.690 imóveis disponíveis nas pautas de incorporadoras, cerca de um ano e meio de estoque no ritmo atual
Fontes: plataforma DWV e levantamento DWV do 1º semestre de 2026.

Com oferta restrita e demanda alta, cada lead que demora a ser respondido é uma venda perdida para o concorrente.

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Por que perdeu a liderança de valorização

Não foi queda de preço em Balneário Camboriú. Foi aceleração em Itapema, puxada por um novo ciclo de obras de infraestrutura turística na vizinha. A margem foi mínima: R$ 15.226 contra R$ 15.215 por m² em maio de 2026, segundo o FipeZap.

O preço de Balneário continuou subindo o tempo todo. Em junho de 2026, o valor médio anunciado de apartamentos prontos chegou a R$ 15.228 por m², contra R$ 9.888 em março de 2022, uma alta de cerca de 54% em pouco mais de quatro anos, segundo dados de mercado. São aproximadamente 11% ao ano, sustentados.

Avenida Atlântica e a faixa de areia da Praia Central de Balneário Camboriú, com a linha de arranha-céus ao fundo
A Avenida Atlântica e a Praia Central concentram a maior parte do estoque de alto padrão da cidade. É essa faixa contínua de orla, sem terreno novo disponível, que sustenta o preço mesmo quando Balneário Camboriú sai do primeiro lugar no ranking nacional. Foto: Nivaldo Cit Filho / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).

Por trás disso há um fator que os rankings mensais não capturam: a cidade continua investindo. Foram mais de R$ 2 bilhões aplicados em atrativos turísticos, parques temáticos e melhorias urbanas nos últimos anos, e em junho de 2026 começou uma nova etapa de R$ 34,7 milhões na reurbanização da orla, cobrindo cerca de 1,5 quilômetro entre a rua 3920 e o píer da Barra Sul, segundo informações divulgadas em julho de 2026.

Para o corretor, isso é munição concreta. Em vez de dizer "a cidade continua valorizando", dá para apontar a obra que está acontecendo naquela quadra, com valor e prazo. Argumento que o cliente consegue verificar sozinho vale muito mais do que argumento que ele precisa acreditar.

Qual é o bairro mais caro de Balneário Camboriú?

O Centro concentra os maiores preços por m², seguido de perto pela Barra Sul, onde ficam os empreendimentos de altíssimo padrão. Na primeira quadra da orla, os valores já ultrapassam R$ 50 mil por m², e projetos pontuais diferenciados passam de R$ 100 mil por m², segundo levantamentos publicados em 2026.

Repare no tamanho do intervalo. A média da cidade é R$ 15.228, a orla passa de R$ 50 mil e projetos específicos passam de R$ 100 mil. Isso significa que, em Balneário Camboriú, a média municipal praticamente não serve para precificar nada. O que define preço aqui é a quadra, a vista e o empreendimento, nessa ordem. Quem chega numa negociação com o número do FipeZap na mão e nada além dele perde autoridade nos primeiros cinco minutos.

Praia e edifícios de alto padrão na região da Barra Sul, em Balneário Camboriú, Santa Catarina
A Barra Sul, no extremo sul da orla, é onde estão os empreendimentos de mais alto padrão e as diárias de temporada mais caras da cidade (R$ 800 a R$ 1.500 para dois dormitórios no verão). É também o trecho que recebe a atual etapa de R$ 34,7 milhões de reurbanização da orla. Foto: Nivaldo Cit Filho / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).

Fora da orla nobre, a cidade tem degraus bem definidos. Um comparativo de bairros publicado em julho de 2026 aponta os Pioneiros com m² de 15% a 25% mais barato que o Centro, mantendo praia e infraestrutura, e é o bairro mais procurado por quem quer morar na cidade o ano inteiro. A Praia Brava aparece como o segmento de crescimento mais rápido, para quem busca exclusividade sem pagar preço de Centro. Nações e Tabuleiro completam a faixa de entrada, para o comprador que abre mão da vista direta para o mar.

Esse mapa mental resolve na prática o atendimento mais frequente da cidade: o cliente que quer Balneário Camboriú mas não quer (ou não pode) pagar orla. Ele não precisa ir para outra cidade. Precisa ir três quadras para trás, ou dois bairros ao norte.

Quanto rende um imóvel de temporada na cidade?

Entre 9% e 14% ao ano líquidos, segundo levantamento de abril de 2026 baseado em dados de AirDNA, SANTUR, FipeZap+, CRECI-SC e Booking.com. Mas essa média esconde a informação que mais muda a decisão do cliente, e é aqui que vale a pena ser específico.

O retorno percentual cai conforme o imóvel encarece. O mesmo levantamento simula três cenários reais: um studio de R$ 550 mil rende cerca de 10,6% ao ano; um dois dormitórios no Centro, de R$ 800 mil, rende 6,2%; um dois dormitórios de alto padrão na Barra Sul, de R$ 1,8 milhão, rende 5,1%.

A leitura prática é direta e quase ninguém diz isso ao cliente: imóvel caro em Balneário Camboriú é investimento de patrimônio e valorização, não de renda. Quem compra R$ 1,8 milhão esperando o mesmo rendimento percentual de um studio vai ficar frustrado no primeiro ano. Quem compra sabendo que a rentabilidade vem da valorização e do uso próprio fecha o negócio tranquilo e volta para a segunda compra.

A sazonalidade fecha o raciocínio. A ocupação fica entre 80% e 95% em janeiro e fevereiro e cai para a faixa de 20% a 50% entre maio e outubro, com média anual de 50% a 70%. As diárias acompanham: um dois dormitórios na Barra Sul cobra de R$ 800 a R$ 1.500 no verão e de R$ 180 a R$ 600 na baixa temporada.

Isso não é defeito da cidade, é o desenho dela. Balneário Camboriú tem 139.155 habitantes fixos e espera receber até 2 milhões de visitantes entre dezembro e fevereiro, um aumento de até 1.337% na população, segundo dados da prefeitura. O secretário municipal de Turismo, Evandro Neiva, cita capacidade de 2 a 2,5 milhões de turistas por temporada. Uma cidade que multiplica por catorze no verão gera diária alta em janeiro e vacância em junho. Quem apresenta os dois números ao cliente vende mais e recebe menos reclamação depois.

O que ainda é risco

O risco de Balneário Camboriú não é sobrar imóvel. É faltar, e isso ter efeitos colaterais.

Com cerca de 1.690 unidades disponíveis nas pautas das incorporadoras e 1.081 vendidas em 2025, a cidade opera com aproximadamente um ano e meio de estoque. Para comparar dentro da mesma região, Porto Belo carrega mais de dois anos e meio. Estoque apertado sustenta preço, mas também limita crescimento: sem lançamento novo, não há como vender mais, por mais demanda que exista.

O efeito seguinte é a barreira de entrada. Especialistas citados em levantamentos de 2026 apontam este ano como uma das últimas janelas para comprar antes de uma nova alta expressiva, com projeções da Sort Investimentos de m² chegando a R$ 40 mil em regiões e projetos diferenciados até o fim da década. Ou seja: quem está fora do mercado há mais tempo enfrenta um degrau cada vez mais alto para entrar.

Há um risco de discurso também, e ele é mais imediato. Quem construiu apresentação e anúncio em cima de "a cidade mais cara do Brasil" ficou com material desatualizado em 2026, e vai ficar de novo na próxima virada do índice. O argumento que não envelhece é outro: ticket médio recorde, oferta estruturalmente restrita e R$ 2 bilhões de investimento turístico entregues. Isso não muda de mês para mês.

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Qual o próximo passo

Num mercado com ticket médio de R$ 4,32 milhões e cerca de 1.690 unidades disponíveis para a cidade inteira, cada lead qualificado vale proporcionalmente muito mais do que num mercado com estoque abundante. Não é exagero de vendedor: é aritmética.

Duas coisas fazem a diferença nesse cenário. Responder rápido, porque o mesmo comprador está falando com corretores de Itapema, Itajaí e Porto Belo na mesma tarde. E ter um padrão consistente de atendimento, porque quem paga R$ 4 milhões percebe amadorismo em dois minutos de conversa. Num mercado onde o número de imóveis disponíveis já é o fator limitante, e não a demanda, o gargalo passou a ser a qualidade do atendimento.

Pedrovysk

Especialista em atendimento e automação comercial para o mercado imobiliário na VGV X. Já ajudou mais de 40 incorporadoras a reorganizar o funil de resposta a leads.

Balneário Camboriú ainda é a cidade mais cara do Brasil?

Não desde maio de 2026, quando Itapema assumiu a liderança do m² mais valorizado do país por uma diferença de R$ 11. Em julho de 2026 o ranking mudou de novo: Vitória (ES) assumiu o topo com R$ 15.448, deixando Itapema em segundo (R$ 15.403) e Balneário Camboriú em terceiro (R$ 15.295). Na prática, as três cidades estão empatadas dentro de uma faixa de 1%.

Balneário Camboriú ainda vende bem em 2026?

Sim. Em 2025 a cidade registrou a venda de 1.081 unidades, com Valor Geral de Vendas de R$ 3 bilhões e alta acumulada de 6,44% no período, superando mercados consolidados como São Paulo e Rio de Janeiro, segundo a plataforma de inteligência imobiliária DWV. E no primeiro semestre de 2026 Balneário Camboriú registrou o maior ticket médio do litoral catarinense, de R$ 4,32 milhões por unidade vendida.

Quanto o m² de Balneário Camboriú já se valorizou nos últimos anos?

O preço médio anunciado de apartamentos prontos subiu cerca de 54% entre março de 2022 (R$ 9.888) e junho de 2026 (R$ 15.228), segundo dados de mercado publicados em 2026. É um ritmo de aproximadamente 11% ao ano, bem acima da inflação do período.

Quantos turistas Balneário Camboriú recebe no verão?

A expectativa para a temporada de dezembro a fevereiro é de até 2 milhões de visitantes, o que representa um aumento de até 1.337% sobre os 139.155 habitantes fixos da cidade. O secretário municipal de Turismo, Evandro Neiva, cita capacidade de 2 a 2,5 milhões de turistas por temporada. Essa sazonalidade extrema é o que sustenta as diárias de locação de temporada e, ao mesmo tempo, o que explica a ocupação baixa entre maio e outubro.

Vale a pena comprar apartamento em Balneário Camboriú em 2026?

Depende do objetivo. Para quem busca valorização de patrimônio no longo prazo, os fundamentos seguem fortes: oferta restrita de terreno, alta demanda e mais de R$ 2 bilhões investidos em atrativos turísticos nos últimos anos. Projeções da Sort Investimentos apontam que o m² em regiões e projetos diferenciados pode chegar a R$ 40 mil até o fim da década. Para quem busca renda de aluguel, a conta é mais delicada: quanto mais caro o imóvel, menor tende a ser o retorno percentual da locação.

Compensa mais comprar um studio ou um apartamento grande para alugar?

Para renda pura, o studio costuma render mais em percentual. Simulações de locação por temporada publicadas em 2026 mostram retorno anual de cerca de 10,6% em um studio de R$ 550 mil, 6,2% em um dois dormitórios no Centro de R$ 800 mil e 5,1% em um dois dormitórios de alto padrão na Barra Sul de R$ 1,8 milhão. O imóvel grande compensa por valorização e uso próprio, não por rentabilidade de aluguel.

Fontes e referências (12)
  1. FipeZap — Índice FipeZap de preços de imóveis anunciados Fonte primária dos preços médios do m² residencial citados no artigo
  2. ND Mais — Balneário Camboriú mantém liderança e projeta novos recordes no mercado imobiliário (dados DWV) 1.081 unidades vendidas em 2025, VGV de R$ 3 bilhões, alta de 6,44% e estoque de 1.690 imóveis
  3. Real Pioneiro — Balneário Camboriú vê valor do m² subir 54% em quatro anos Preço médio anunciado de R$ 9.888/m² em março de 2022 para R$ 15.228/m² em junho de 2026
  4. ND Mais — Balneário Camboriú vive valorização acelerada e pode dobrar o valor do m² Valores da orla acima de R$ 50 mil/m² e projeções da Sort Investimentos
  5. Forbes Brasil — Vitória (ES) assume o posto de metro quadrado mais caro do país Ranking de julho de 2026: Vitória R$ 15.448, Itapema R$ 15.403, Balneário Camboriú R$ 15.295
  6. ND Mais — População de Balneário Camboriú cresce até 1.300% na temporada 139.155 habitantes fixos e expectativa de até 2 milhões de visitantes entre dezembro e fevereiro
  7. ND Mais — Cidade investe R$ 2 bi em turismo e inicia nova fase de obra de R$ 34,7 milhões na Praia Central Investimento em atrativos turísticos, reurbanização da orla e declarações do secretário municipal de Turismo
  8. ND Mais — Porto Belo movimenta R$ 2,5 bilhões em imóveis em seis meses (dados DWV) Ticket médio comparativo do 1º semestre de 2026 entre Balneário Camboriú, Itajaí, Itapema e Porto Belo
  9. Viver em SC — Quanto rende um Airbnb em Balneário Camboriú: dados reais 2026 Diárias por bairro, ocupação por estação e simulações de rentabilidade (com base em AirDNA, SANTUR, FipeZap+, CRECI-SC e Booking.com)
  10. Mazzotti Imóveis — Melhores bairros de Balneário Camboriú para comprar apartamento em 2026 Comparativo qualitativo entre Centro, Pioneiros, Barra Sul, Praia Brava, Nações e Tabuleiro
  11. Wikimedia Commons — Avenida Atlântica, Balneário Camboriú (SC), foto de Nivaldo Cit Filho Imagem usada no corpo do artigo, licença CC BY-SA 3.0
  12. Wikimedia Commons — Barra Sul, Balneário Camboriú (SC), foto de Nivaldo Cit Filho Imagem usada no corpo do artigo, licença CC BY-SA 3.0