Mercado

Valorização imobiliária no litoral catarinense: o que mudou em 10 anos

Comparamos população, PIB e preço do m² de Itapema, Porto Belo, Balneário Camboriú, Tijucas, Florianópolis e Itajaí ao longo da última década. Veja onde o dado de 10 anos existe de verdade e onde não existe.

Ilustração conceitual de valorização imobiliária no litoral catarinense, com gráfico ascendente sobre uma orla estilizada ao entardecer
Seis cidades, seis ritmos de crescimento diferentes: o litoral catarinense não é um mercado único, é uma soma de mercados com histórico muito distinto.

Balneário Camboriú saiu de um m² médio de cerca de R$ 4.290 para R$ 14.300 em uma década, uma valorização acumulada de aproximadamente 233%, segundo levantamento da consultoria Manica Marin. No mesmo período, Itajaí acumulou 143%, saindo de cerca de R$ 3.210 para R$ 7.800 por m² pela mesma fonte. Já em número de habitantes, Tijucas cresceu 66,64% entre os Censos do IBGE de 2010 e 2022, o ritmo populacional mais forte entre as seis cidades cobertas neste artigo.

Repare no que esses três números têm de diferente entre si. Um mede preço com base em avaliação de mercado. Outro mede preço na mesma metodologia, mas numa cidade com economia completamente distinta. O terceiro nem preço mede: mede gente. Quem repete "o litoral catarinense está em alta" está misturando as três coisas numa frase só, e é por isso que esse discurso não convence um comprador que já pesquisou.

Este artigo separa o que existe de verdade, com fonte, para Itapema, Porto Belo, Balneário Camboriú, Tijucas, Florianópolis e Itajaí. Onde não achamos série de 10 anos confiável, dizemos isso na cara e usamos o intervalo mais longo que existe. Um número honesto de 6 anos vale mais numa conversa de venda do que um número redondo de 10 anos que ninguém consegue mostrar de onde saiu.

Cidade População 2022 (IBGE) Crescimento populacional 2010-2022 Preço m² mais recente Valorização de preço (período mais longo com fonte)
Itapema 75.940 +65,82% R$ 15.403 (FipeZap, jul/2026) Sem série de 10 anos com fonte única; 13,65% em 12 meses foi a maior valorização do país no ciclo de 2021
Porto Belo 27.688 +72,17% Entre R$ 6 mil e R$ 25 mil (variação por bairro) +127% em 6 anos (dado de 6 anos, não 10, é o mais longo com fonte confiável encontrado)
Balneário Camboriú 139.155 +28,74% R$ 15.295 (FipeZap, jul/2026) +233% em 10 anos (Manica Marin); +54% entre 2022 e 2026 pelo FipeZap
Tijucas 51.592 +66,64% R$ 7.375 (Proprietário Direto) Sem série de 10 anos nem de 6 anos com fonte consolidada; só há registro pontual de +26% em 5 meses num bairro planejado específico
Florianópolis 537.211 +27,53% R$ 13.365 (FipeZap, 2026) Sem série de 10 anos com fonte única; +8,29% em 12 meses e +9,44% em 2025 são os dados mais longos e confiáveis encontrados
Itajaí 264.054 +46,15% R$ 12.848 (FipeZap, dez/2025) +143% em 10 anos (Manica Marin), embora com valor de base (R$ 7.800) mais baixo que o do FipeZap para o mesmo ano

Dados populacionais: Censos IBGE 2010 e 2022. Dados de preço: índice FipeZap, portal Proprietário Direto e levantamento da consultoria Manica Marin, todos com data de referência indicada. Onde a fonte de 10 anos não existe, o período mais longo disponível está identificado explicitamente na própria célula da tabela.

Antes de usar qualquer linha dessa tabela numa conversa, vale ler a última coluna com atenção. Ela é o resumo honesto do problema: só duas das seis cidades têm uma década de histórico de preço medida pela mesma fonte. Para as outras quatro, o que existe são janelas curtas, de 5 meses a 6 anos. Isso não torna o dado inútil, só muda o que você pode afirmar com ele.

Qual cidade mais cresceu em população

Em variação percentual entre os Censos do IBGE de 2010 e 2022, Tijucas lidera com 66,64% de crescimento (de 30.960 para 51.592 habitantes), seguida de perto por Itapema, com 65,82% (chegando a 75.940 habitantes). Porto Belo cresceu ainda mais em termos percentuais, 72,17%, saindo de 16.083 para 27.688 habitantes, mas parte de uma base populacional pequena, o que deixa esse percentual mais sensível a qualquer novo bairro ou condomínio que entre em operação.

+72,17% Porto Belo, maior crescimento populacional percentual entre as 6 cidades (IBGE, 2010-2022)
+66,64% Tijucas, segundo maior crescimento percentual, com população passando de 31 mil para 51,6 mil
115.971 novos moradores em Florianópolis entre 2010 e 2022, o maior número absoluto entre as 6 cidades
Fonte: Censos Demográficos IBGE de 2010 e 2022.

Balneário Camboriú e Florianópolis crescem menos em percentual (28,74% e 27,53%, respectivamente), mas em número absoluto de habitantes lideram com folga: Florianópolis somou 115.971 novos moradores no período, e Itajaí, com crescimento de 46,15%, somou 83.373 novos habitantes, mais gente do que Porto Belo tem hoje inteira.

Na prática comercial, isso significa duas conversas diferentes. Em Porto Belo e Tijucas, o percentual alto conta a história de um mercado que ainda está se formando: um único loteamento novo mexe no gráfico da cidade. Em Florianópolis e Itajaí, o percentual modesto esconde um volume de demanda que nenhuma cidade pequena da região chega perto. Se você usar só o percentual, vende Porto Belo como se fosse o maior crescimento do litoral. Se usar só o número absoluto, some com ela do mapa. As duas leituras estão certas, e o cliente merece saber qual você está usando.

Entender o ritmo de crescimento de cada cidade ajuda a calibrar expectativa de valorização com o cliente, em vez de repetir o mesmo discurso genérico para as seis.

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Qual cidade mais valorizou em preço de imóvel

Balneário Camboriú, com 233% de valorização acumulada em 10 anos, é a maior alta encontrada com fonte específica para essa janela. Só ela e Itajaí (143%) têm uma década medida por uma mesma fonte, o levantamento da consultoria Manica Marin. Balneário saiu de cerca de R$ 4.290 para R$ 14.300 por m². Itajaí, de R$ 3.210 para R$ 7.800.

Dentro de Balneário Camboriú, porém, a média engana. O trecho de beira-mar da Avenida Atlântica subiu entre 374% e 479% no mesmo intervalo, pela mesma fonte. É uma diferença grande o suficiente para mudar o argumento: quando um cliente diz que "Balneário valorizou 233%", ele está falando de uma média que inclui bairros que subiram muito menos que a orla. Saber essa distinção é o que permite explicar por que dois imóveis na mesma cidade tiveram históricos tão diferentes.

Vista aérea da orla de Balneário Camboriú a partir do Parque Unipraias, com a faixa de areia alargada e os arranha-céus da Avenida Atlântica ao fundo
A faixa de areia alargada e a linha de torres da Avenida Atlântica na mesma foto ajudam a entender os 233% de valorização acumulada em 10 anos em Balneário Camboriú: o produto que valorizou é a vista da primeira quadra, não a cidade inteira. Foto: Trustable / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

Vale um ponto de honestidade sobre esses dois números: o valor de R$ 7.800 usado pela Manica Marin para o m² atual de Itajaí é bem mais baixo que o R$ 12.848 registrado pelo índice FipeZap para dezembro de 2025. Não é erro de ninguém. Uma fonte avalia imóvel, a outra lê anúncio, e anúncio quase sempre pede mais do que o mercado paga. A regra prática que sai disso: percentual de alta costuma ser comparável entre fontes diferentes, valor absoluto do m² quase nunca é. Se você misturar o preço de uma fonte com o percentual de outra para calcular quanto um imóvel "deveria" valer, o resultado vai estar errado.

+233% valorização acumulada em 10 anos do m² em Balneário Camboriú (Manica Marin)
+143% valorização acumulada em 10 anos do m² em Itajaí (Manica Marin)
+127% valorização de Porto Belo, mas em 6 anos, não 10: é o dado mais longo com fonte confiável para a cidade
Fonte: levantamento da consultoria Manica Marin e dados de mercado divulgados sobre Porto Belo, 2025-2026.

Para Itapema, Tijucas e Florianópolis, não foi encontrada uma série de valorização de 10 anos com fonte confiável e consistente. O dado mais próximo para Itapema é a valorização de 13,65% em 12 meses registrada em 2021, quando a cidade teve o maior ritmo de valorização do país naquele ciclo específico, segundo o FipeZap. Para Florianópolis, o dado mais longo com fonte é de 12 meses (+8,29% até junho de 2026) e o ano fechado de 2025 (+9,44%). Para Tijucas, o registro mais concreto encontrado é pontual e recente: um bairro planejado específico saiu de R$ 630 para R$ 860 o m² entre agosto de 2024 e janeiro de 2025, alta de 26% em cinco meses, mas isso não pode ser generalizado para a cidade inteira nem para um período de 10 anos.

Repare no tamanho da diferença: R$ 860 o m² num bairro de Tijucas contra R$ 15 mil na média de Itapema. São mercados separados por 30 minutos de carro e por um fator de quase 18 vezes no preço. É por isso que tratar "litoral catarinense" como um único mercado não funciona nem como simplificação didática.

Por que Itapema ultrapassou Balneário Camboriú no m² mais caro do Brasil?

Porque Balneário Camboriú ficou sem terreno e Itapema ainda tem. Em maio de 2026, Itapema chegou a R$ 15.226 por m² contra R$ 15.215 de Balneário Camboriú e assumiu, pela primeira vez desde 2022, o posto de m² residencial mais caro do país, segundo o índice FipeZap. A diferença foi de R$ 11 no metro quadrado. Num apartamento de 100 m², isso dá R$ 1.100 de diferença entre a cidade mais cara do Brasil e a segunda colocada.

Esse detalhe importa mais que a manchete. A liderança não mudou porque Itapema disparou, mudou porque os dois mercados estão praticamente empatados e o topo virou um jogo de centavos. Tanto que, dois meses depois, a liderança trocou de novo: em julho de 2026, Vitória (ES) chegou a R$ 15.448 e passou Itapema (R$ 15.403) e Balneário Camboriú (R$ 15.295), a terceira troca de líder em três meses.

O que explica o fôlego maior de Itapema é estrutural, não um repique de mês. Balneário Camboriú é um mercado consolidado com pouca área para crescer: a valorização ali depende cada vez mais de trocar imóvel antigo por lançamento de alto padrão no mesmo terreno. Itapema ainda tem terreno disponível, volume alto de lançamento novo e um ciclo de obra pública em andamento, incluindo o alargamento da faixa de areia da Meia Praia.

O precedente que sustenta essa aposta é o da cidade vizinha. A engorda da Praia Central de Balneário Camboriú custou R$ 66,8 milhões e levou a faixa de areia de 25 metros para cerca de 70 metros depois da acomodação natural do sedimento, segundo levantamento da Gazeta do Povo sobre alargamento de praias em Santa Catarina. A obra ficou pronta no fim de 2021, exatamente no ciclo em que a orla de Balneário puxou a valorização da cidade inteira.

Para quem vende, a leitura prática é esta: obra de orla anunciada não é promessa vaga, é o tipo de intervenção que já mexeu no preço de uma cidade vizinha com número público. Mas o histórico de Balneário também mostra o outro lado, e é honesto dizer ao cliente: parte da areia recuada com o tempo, e a manutenção virou custo recorrente, com nova operação de reposição orçada em R$ 3,5 milhões. Quem promete valorização garantida por causa de uma obra está vendendo mais certeza do que o dado sustenta.

O que os dados do IBGE realmente mostram

O Censo do IBGE não mede preço de imóvel. Ele mede quanta gente passou a morar ali, e essa é a única prova de demanda que não depende de ninguém do setor imobiliário para existir. Enquanto o Brasil cresceu cerca de 6,5% em população entre 2010 e 2022, as seis cidades deste artigo cresceram de 27% a 72%. Todas elas, sem exceção, cresceram pelo menos quatro vezes mais rápido que o país.

Esse é o dado que sustenta o resto. Não é opinião de corretor nem projeção de incorporadora: é contagem oficial de morador, feita de dez em dez anos, com a mesma metodologia em todo lugar. E ajuda a explicar por que Santa Catarina concentrou 65% de todo o VGV lançado na Região Sul entre março de 2024 e março de 2025, cerca de R$ 55,5 bilhões, mais que Paraná e Rio Grande do Sul somados, segundo levantamento da consultoria Brain apresentado em evento da CBIC. No primeiro trimestre de 2025 sozinho, essa fatia subiu para 73,5%.

Uma ressalva importante sobre esse VGV, porque ela muda o que o número significa: VGV mede valor de tabela lançado, não venda concretizada. Um VGV recorde pode vir de mais unidades lançadas ou simplesmente de unidades mais caras. Antes de usar esse número como prova de aquecimento com um cliente, vale saber qual dos dois aconteceu na cidade específica de que você está falando.

Existe um limite conhecido nesse dado, e ele é grande no litoral: o Censo conta morador, não proprietário. Quem tem apartamento em Itapema mas mora em Curitiba não aparece na população de Itapema. Nessas três cidades de forte perfil de temporada (Itapema, Porto Belo e Balneário Camboriú), a população oficial subestima a demanda real por moradia, e subestima muito no verão.

Isso tem consequência direta no seu argumento. Se um cliente investidor questionar por que Balneário Camboriú "só" cresceu 28,74% em população e mesmo assim tem um dos m² mais caros do país, a resposta não é evasiva: boa parte da demanda daquela cidade nunca foi contada pelo Censo, porque não mora lá.

Crescimento populacional real, não achismo, é o argumento que sustenta uma conversa de valorização futura com o cliente.

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PIB e renda: o outro lado da valorização

O PIB per capita responde a uma pergunta que o preço do m² sozinho não responde: a demanda daquela cidade vem de quem mora nela ou de quem vem de fora? Segundo o levantamento do IBGE sobre o PIB dos municípios em 2023 (dado mais recente disponível), Itajaí lidera com folga, com R$ 182,5 mil por habitante, puxado por porto e indústria naval. Porto Belo (R$ 75,5 mil) e Tijucas (R$ 71,5 mil) vêm em seguida, à frente até de Balneário Camboriú (R$ 64,7 mil). Itapema fecha o grupo com R$ 50 mil, o menor de todos, mesmo tendo disputado o m² mais caro do Brasil.

R$ 182,5 mil PIB per capita de Itajaí, o maior entre as 6 cidades, puxado por porto e indústria naval
R$ 75,5 mil PIB per capita de Porto Belo, o segundo maior, mesmo sendo a menor cidade em população do grupo
R$ 50 mil PIB per capita de Itapema, o menor entre as 6, ainda que seja a cidade com o m² mais caro do Brasil
Fonte: IBGE Cidades, Produto Interno Bruto dos Municípios, ano-base 2023 (dado mais recente disponível).

O caso de Itapema é o mais contraintuitivo do comparativo: m² entre os mais caros do Brasil e o menor PIB per capita das seis. A conclusão é direta: quem sustenta o preço em Itapema não é a renda de quem mora lá, é o comprador de fora. Isso não é fraqueza do mercado, é a descrição correta dele. Só muda quem você precisa alcançar para vender, e explica por que uma campanha local rende pouco numa cidade dessas.

Itajaí é o oposto exato. O PIB per capita de R$ 182,5 mil vem de porto e indústria naval, ou seja, de gente com emprego formal na própria cidade, o ano inteiro. Demanda de moradia fixa não some em abril quando a temporada acaba. Por isso Itajaí valorizou menos que Balneário no acumulado de 10 anos (143% contra 233%) e mesmo assim tem a base econômica mais sólida do grupo. Valorização mais alta e demanda mais estável não são a mesma coisa, e o cliente certo para cada uma é diferente.

Navios porta-contêineres atracados no terminal do Porto de Itajaí, com guindastes e pilhas de contêineres às margens do rio Itajaí-Açu
O terminal de contêineres do Porto de Itajaí é o motivo material do maior PIB per capita do comparativo, R$ 182,5 mil por habitante segundo o IBGE. É também o motivo de a demanda por moradia na cidade não depender da alta temporada. Foto: Marinha do Brasil / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0).

O que isso significa para corretores e imobiliárias

Significa que as seis cidades não disputam o mesmo comprador, e que usar o mesmo argumento nas seis é o jeito mais rápido de soar genérico. Itapema, Porto Belo e Balneário Camboriú brigam pelo mesmo perfil de segunda residência e alto padrão: quem pergunta sobre uma dessas três quase sempre já olhou as outras duas antes de falar com você. Tijucas recebe quem foi empurrado pelo preço dessas três e ainda quer ficar por perto. Itajaí mistura o público de praia com um comprador que decide por causa do emprego no porto. E Florianópolis concorre em duas frentes ao mesmo tempo: com outras capitais, para quem busca moradia fixa, e com o próprio litoral norte catarinense, para quem busca segunda residência.

Isso muda a primeira pergunta que você faz. Em vez de "está procurando em qual cidade?", pergunte "é para morar ou para investir?". A resposta define não só o imóvel, mas quais das seis cidades sequer fazem sentido mostrar.

O lead está comparando mais de uma cidade do litoral catarinense ao mesmo tempo?
Sim Isso é a regra, não a exceção, entre Itapema, Porto Belo e Balneário Camboriú. Quem responde primeiro com dado específico de cada cidade (não um discurso genérico de "litoral em alta") sai na frente.
Não, foco em uma única cidade Siga para a próxima pergunta: o lead busca segunda residência/investimento ou moradia fixa?
O lead busca segunda residência/investimento ou moradia fixa vinculada à economia local?
Segunda residência / investimento Perfil típico de Itapema, Balneário Camboriú e parte de Itajaí (Praia Brava). Argumento central: histórico de valorização com fonte, não promessa genérica de "aqui só sobe".
Moradia fixa / economia local Perfil típico de Tijucas, do restante de Itajaí e da maior parte de Florianópolis. Argumento central: custo de vida, proximidade do trabalho e crescimento populacional real, não valorização especulativa.

Cada cidade exige um discurso comercial diferente. Ter dado atualizado por cidade na ponta da língua é o que separa uma resposta genérica de uma que converte.

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Riscos e ressalvas sobre os dados

O maior risco não é um número errado, é um número certo usado fora do contexto dele. Balneário Camboriú e Itajaí têm série de 10 anos, mas de uma única consultoria privada, não de um índice público auditável ano a ano. Itapema, Florianópolis e Tijucas não têm década nenhuma com fonte confiável: o que existe cobre de 5 a 12 meses. Porto Belo tem 6 anos, o melhor dado entre as cidades menores, e ainda assim não é a década que a pergunta pedia.

Três coisas que este artigo não faz, de propósito, e que valem como alerta para qualquer material que você leia sobre a região:

  • Não converte percentual de uma fonte em valor absoluto de outra. Aplicar os 233% da Manica Marin sobre um preço de FipeZap dá um número que não existe em lugar nenhum.
  • Não projeta o passado para a frente. Dez anos de alta não são promessa de mais dez. O ranking do m² mais caro do país trocou de líder três vezes em três meses só em 2026.
  • Não trata média de cidade como preço de bairro. A orla de Balneário subiu de 374% a 479% enquanto a média da cidade subia 233%. A média não descreve nenhum imóvel específico.
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Qual o próximo passo

Escolha uma cidade e domine o dado dela. Depois de comparar as seis lado a lado, fica claro que não existe "o mercado do litoral catarinense": existem seis mercados com ritmo, fonte e horizonte de dado próprios, e ninguém consegue defender os seis com a mesma profundidade numa conversa de WhatsApp. O corretor que sabe de cor o período, a fonte e a ressalva de uma cidade ganha do que sabe o número redondo de todas elas.

Para conhecer cada cidade em profundidade, com o mesmo nível de detalhe usado aqui, veja os artigos dedicados: Itapema, Porto Belo, Balneário Camboriú, Tijucas, Florianópolis e Itajaí. Na prática comercial, isso significa que responder rápido com o dado certo para a cidade certa, citando fonte e período, vale mais do que qualquer discurso genérico de "aqui tudo só sobe".

Pedrovysk

Especialista em atendimento e automação comercial para o mercado imobiliário na VGV X. Já ajudou mais de 40 incorporadoras a reorganizar o funil de resposta a leads.

Qual cidade do litoral catarinense mais valorizou em 10 anos?

Com a ressalva de que nem toda cidade tem série de 10 anos com a mesma fonte, Balneário Camboriú aparece com a maior valorização acumulada encontrada com fonte específica de 10 anos: cerca de 233% no preço médio do m², segundo levantamento da consultoria Manica Marin, saindo de aproximadamente R$ 4.290 para R$ 14.300. Itajaí, pela mesma fonte, acumulou 143% no mesmo período.

Por que o litoral catarinense valorizou tanto nos últimos anos?

A combinação de um ciclo forte de obras de infraestrutura turística (marinas, orla, novos empreendimentos de alto padrão), migração de comprador de outros estados em busca de segunda residência, e um mercado de lançamentos que concentrou 65% de todo o VGV lançado na Região Sul do Brasil entre março de 2024 e março de 2025 (CBIC) explica boa parte do fenômeno.

Qual cidade cresceu mais em população no litoral catarinense?

Em variação percentual entre os Censos IBGE de 2010 e 2022, Tijucas lidera com 66,64% de crescimento, seguida de perto por Itapema, com 65,82%. Em número absoluto de novos moradores, porém, Itajaí e Florianópolis somaram muito mais gente, mesmo crescendo menos em percentual.

Todas as cidades do litoral catarinense têm dado de valorização de 10 anos?

Não. Balneário Camboriú e Itajaí têm série de 10 anos disponível numa mesma fonte de mercado. Itapema, Porto Belo, Tijucas e Florianópolis não têm série de 10 anos com a mesma consistência: o dado mais longo confiável encontrado para essas quatro cidades varia de 4 a 6 anos, e isso está explicitado ao longo deste artigo.

O índice FipeZap cobre todas essas 6 cidades?

Não igualmente. Itapema, Balneário Camboriú, Florianópolis e Itajaí aparecem regularmente no índice FipeZap. Porto Belo e Tijucas, cidades menores, dependem mais de portais de anúncio e levantamentos pontuais do setor, com menos histórico consolidado e independente.

Cidade pequena valoriza mais que cidade grande no litoral catarinense?

Em percentual, muitas vezes sim: Porto Belo, com cerca de 30 mil habitantes, acumulou mais de 127% de valorização em 6 anos, um ritmo maior que o de capitais e cidades médias da região. Isso costuma acontecer porque o preço de base era mais baixo, o que faz qualquer valorização absoluta parecer maior em termos percentuais.

Por que Santa Catarina concentra tanto lançamento imobiliário?

Porque a demanda de fora do estado se somou a uma oferta de terreno que ainda existe fora de Balneário Camboriú. Entre março de 2024 e março de 2025, Santa Catarina respondeu por 65% de todo o VGV lançado na Região Sul, cerca de R$ 55,5 bilhões, mais do que Paraná e Rio Grande do Sul somados, segundo levantamento da Brain apresentado em evento da CBIC. No primeiro trimestre de 2025 isolado, essa fatia chegou a 73,5%.

O m² mais caro do Brasil ainda fica no litoral catarinense?

Em julho de 2026, não. Pelo índice FipeZap, Vitória (ES) chegou a R$ 15.448 por m² e passou Itapema (R$ 15.403) e Balneário Camboriú (R$ 15.295). Foi a terceira troca de líder em três meses, o que mostra que a diferença entre os mercados de topo do país hoje é de poucas centenas de reais por metro quadrado, não de uma cidade disparada na frente.

Como saber se o dado de valorização que eu uso com o cliente está desatualizado?

Confira sempre três coisas antes de repetir um número: o mês de referência, a fonte e o período coberto. Índice de anúncio como o FipeZap muda todo mês e já trocou de cidade líder três vezes em três meses em 2026. Dado de Censo do IBGE só muda a cada dez anos. Levantamento de consultoria privada costuma não ter atualização fixa. Um número sem essas três informações não deveria entrar numa conversa de venda.

Fontes e referências (10)
  1. Manica Marin — Valorização imobiliária: Balneário Camboriú e Itajaí superam a média nacional Série de 10 anos de preço do m² em Balneário Camboriú (+233%) e Itajaí (+143%)
  2. IBGE Cidades — Panorama de Tijucas (Censos 2010 e 2022) População de 2022 e variação em relação ao Censo de 2010
  3. IBGE — Produto Interno Bruto dos Municípios, ano-base 2023 PIB per capita das seis cidades comparadas
  4. ND Mais — Itapema se torna o metro quadrado mais caro do Brasil Maio de 2026: Itapema a R$ 15.226/m² contra R$ 15.215/m² de Balneário Camboriú
  5. ND Mais — Capital com praias desbanca Balneário Camboriú e Itapema no m² mais caro do Brasil Julho de 2026: Vitória a R$ 15.448/m², Itapema R$ 15.403, Balneário Camboriú R$ 15.295
  6. Economia SC — VGV de Santa Catarina: o que esse número esconde 65% do VGV lançado na Região Sul (R$ 55,5 bilhões) entre março de 2024 e março de 2025
  7. Gazeta do Povo — Santa Catarina é o estado que mais alarga praias Engorda da Praia Central de Balneário Camboriú: R$ 66,8 milhões, faixa de areia de 25 m para cerca de 70 m
  8. Índice FipeZap — preço de venda de imóveis residenciais Fonte dos preços de m² por cidade citados na tabela
  9. Wikimedia Commons — foto de Balneário Camboriú vista do Parque Unipraias (Trustable, CC BY-SA 4.0)
  10. Wikimedia Commons — foto do Porto de Itajaí, 2021 (Marinha do Brasil, CC BY-SA 2.0)